Q uando 2008 acabar, vai deixar saudades para aqueles que vivem nas comunidades de descendência japonesa em Pernambuco. É o ano em que se comemora o Centenário de inicio da corrente imigratória japonesa no Brasil.
A efeméride vem sendo festejada a cada mês e cada semana, em distintos recantos do estado. Todas enti-dades e associações ligadas ao mundo nipônico local, na capital ou no interior, vêm se esmerando em pro-mover eventos que lembrem de modo vibrante a  pas-sagem desse centenário.
O Cônsul Geral do Japão no Recife, Toshio Watanabe, vem se desdobrando em incentivar e comparecer, pes-soalmente, a cada episódio de comemoração. Isto sem contar nos compromissos que assume nos demais esta-dos da Região Nordeste, sua jurisdição consular.
A Anbej tem dedicado todas as atividades, neste ano, às comemorações do Centenário e o esforço maior será a realização da XII Feira Japonesa do Recife, em novembro vindouro, acrescida, desta vez, da Gincana Cultural do Centenário, que vai fazer mergulhar na cultura nipônica um grupo de estudantes do ensino médio, das escolas publicas da cidade, através de uma competição que vai atrair as atenções e
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N esta semana comemora-se, no Brasil e no Japão, o centenário da chegada do primeiro contingente de imigrantes japoneses, de uma grande série apoiado por um acordo bilateral entre os governos dos dois países  que trocaram a terra do sol nascente pelo calor dos trópicos, numa saga de imensos desdobramentos para eles próprios e para o Brasil, um país jovem, pleno de oportunidades e em construção.
Quando, no dia 18 de Junho de 1908, 781 japoneses, após 50 dias de viagem, desde o Porto de Kobe, desembarcaram do navio Kasato Maru, no Porto de Santos, em S. Paulo, nem eles mesmos tinham idéia de como viveriam dali para frente. A única coisa que desejavam era trabalhar muito, fazer o que no Brasil chamamos de um “pé de meia” e voltar à terra natal, com me-lhores condições econômicas e carregando a esperança de encontrar o país natal em melhores condições econômicas e sociais. Ou seja, não vieram para ficar e sim para passar uma temporada.
Para os brasileiros esses imigrantes eram vistos, apenas, como mão-de-obra direcionada para a lavoura do café, numa imensa crise de mão-de-obra, devido ao fim do regime forçado da escravidão, secundado pela necessidade de atender a crescente demanda pelo produto no mercado mundial. Esse adicional contingente de força de trabalho, portanto, chegava numa boa hora.
Até o início da 2ª. Guerra Mundial, desembarcaram no Brasil, algo em torno de, 190.000 japoneses! Des-ses, apenas 10% retornaram ao Japão.
Ficaram aqueles que, após, anos de sacrifício, mui-tos no árduo trabalho da agricultura, construíram uma vida estável e profícua. Criaram raízes, constituindo famílias, miscigena
das com brasileiros, num mosaico racial de rara beleza. Os nipo-brasileiros são, geralmente, indivíduos de porte esbelto e de especial char-me, que fazem sucesso, inclusive, na terra dos seus ancestrais.
Ao se radicarem no Brasil construíram, então, uma das mais sólidas amizades binacionais que se tem noticia no mundo. Vive hoje, no Brasil, aproximadamente, 1,5 Milhão de descendentes, além de alguns remanescentes, ainda, do fluxo migratório. O Brasil tem a maior comunidade nipônica fora do Japão.
São brasileiros de olhos apertadinhos que vêm dando uma inestimável contribuição ao desenvolvimento do Brasil nos mais diferentes domínios sociais e econômicos e nosso país, indiscutivelmente, não seria o que está aí, não fosse a presença do imigrante nipônico.
Tradicionais produtores agrícolas, no Oriente, introduziram novas formas de cultivo da terra e uma imensa gama de novos produtos entre grãos, frutas e hortaliças, antes desconhecidas. Devemos a eles, por exemplo, a introdução da soja na agricultura brasileira, que atualmente responde por 20% das nossas exportações agrícolas.
A eles devemos, também, uma imensa variedade de hábitos alimentares, pratos e especiarias trazidas do Oriente, que mixados com produtos brasileiros adicionaram um toque especial ao que já se denomina gastronomia nipo-brasileira. A culinária japonesa to-mou conta de expressiva fatia do mercado de restaurantes no país inteiro com uma impressionante aceitação, sobretudo entre os clientes mais jovens.  
Mas, não fica por aí. Nas artes - cinema, literatura, jardinagem, pintura, cerâmica, escultura e arquitetura -   na ciência e tecnologia, no esporte, entre outros domínios, inclusive na política e administração pública, a presença dos nissei (2ª. geração), sansei (3ª. geração), yonsei (4ª. geração), gosei (5ª. geração), roku
sei (6ª. geração) é, indiscutivelmente expressiva.
A concentração dos imigrantes está no estado de São Paulo. Na capital paulista, ruas, vilas e bairros, como o da Liberdade, denunciam de forma efetiva a presença nipônica no Brasil.  
Além disso, os imigrantes japoneses e seus descendentes marcam presenças em vários outros estados do País, entre os quais Paraná, Pará, Bahia e Pernambuco.
Em Pernambuco, onde vivem aproximadamente 2.000 nipo-descentes, o destaque vai para a Colônia do Rio Bonito, no município de Bonito, que é um belo exemplo da presença japonesa, entre nós. A Colônia completa 50 anos, coincidentemente, este ano. Graças a eles Pernambuco é hoje um dos maiores (alguns garantem que o maior) produtores de inhame do país, com imensa valorização no mercado internacional, dadas as propriedades, inclusive medicinais, do produto. Lá é também produzida uma colorida variedade de flores que adornam a vida de pernambucanos e nordestinos.    
Tenho uma aproximação muito grande com a comunidade japonesa local, pelo fato de ser ex-bolsista no Japão e presidir a Associação