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Brasília, 9 de novembro de 1995
É uma grande honra para mim fazer a abertura desta solenidade de comemoração do centenário da assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Quero dar as boas-vindas a todos, brasileiros e japoneses, que aqui se congregam em torno desta data-símbolo das nossas relações.
Não se trata de uma simples recordação ou de um ato protocolar. Nós estamos reunidos hoje, aqui, espelhando ato idêntico realizado pelo Governo e povo do Japão, para celebrar o nascimento de uma amizade e de uma parceria exemplares entre duas nações.
Graças ao Tratado de 1895, que possibilitou o início da grande imigração japonesa ao Brasil, duas terras distantes na geografia e na cultura puderam conhecer-se melhor, aproximar-se, tornar-se íntimas. Entre o Japão e o Brasil criou-se aquele elo indissolúvel entre os Estados, que nada pode afetar ou diminuir: a dimensão humana.
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Décadas de convivência com os imigrantes japoneses, que adotaram o Brasil como pátria, e com seus descendentes, nisseis e sanseis, fizeram do Brasil um país mais rico material e culturalmente, mais aberto ao mundo e às contribuições que outros povos nos podem oferecer. Graças ao expressivo contingente de brasileiros de origem japonesa, o Brasil pôde colocar-se em posição particularmente vantajosa para relacionar- se com um país que se tornou uma potência econômica no mundo, um pólo irradiador de cultura, tecnologia e investimentos.
Hoje, esse elemento humano que faz a principal conexão entre os dois países se re- força também com a presença de um número expressivo de brasileiros que se desloca- ram ao Japão em busca de oportunidades, da mesma forma que fizeram, décadas atrás, os japoneses que se abrigaram entre nós.
Esta solenidade e, portanto, antes de mais nada, um tributo que os povos e os Governos dos dois países desejam prestar a todos aqueles que, como negociadores do
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Tratado de 1895 ou depois, como aqueles que o implementaram, deram às relações entre o Brasil e o Japão o caráter tão especial e tão rico que as caracteriza e singulariza no universo das relações internacionais.
,As presenças entre nós da Princesa Sayako do Japão e do Vice-Presidente da Re- pública, Marco Maciel, são simbólicas da preocupação que vêm tendo os dois Governos de singularizar e dar grande visibilidade a estas comemorações.
Com isso, não estamos mais do que fazendo justiça ao objeto das nossas celebrações, porque, quando se trata das relações entre o Brasil e o Japão, os dois povos e os dois governos trabalham em plena sintonia, prontos a repetir, nestes próximos cem anos, as realizações que, durante este século, tornaram possível falar em unia parceria e urna amizade exemplares entre um grande país em desenvolvimento e um poderoso país desenvolvido.
Muito obrigado.
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Excelentíssimo Senhor Vice-Presidente
Marco Maciel,
Senhoras e Senhores,
É uma grande satisfação para mim poder participar da Cerimônia Comemorativa do Centenário do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Japão e o Brasil, a convite do Governo Brasileiro.
Há cem anos atrás, o Japão e o Brasil assinaram o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação e iniciaram o caminho histórico da amizade. Não é possível para mim, hoje, saber quais os ideais que guardavam as pessoas envolvidas na firmação do Tratado, naquela época, em relação ao intercâmbio entre os dois países antípodas. Porém, levando em consideração o fato que, desde o ano de 1908, quando o primeiro grupo de emigrantes japoneses partiu para o Brasil no navio "Kassato-Maru", muitos japoneses foram acolhidos por este país, formando agora a maior comunidade nikkei no exterior, não osso deixar de sentir o laço profundo que existe entre o Japão e o Brasil.
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É um grande orgulho para nós constatar que os emigrantes japoneses têm uma vida calma neste país e contribuem para o desenvolvimento do Brasil como bons cidadãos brasileiros. Ao mesmo tempo, tenho um profundo respeito pelo Brasil por ter acolhido imigrantes não só do Japão i-nas de vários países do mando, e criado sua própria identidade nacional através da diversidade cultural que cada comunidade imigrante possui.
Recentemente, entre o Japão e o Brasil, está sendo promovido um intercâmbio cada vez maior nas áreas econômica, cultural, esportiva, etc. Outro dia, por ocasião da Cerimônia Comemorativa do Centenário de Amizade Nipo-Brasileira no Japão, Vossa Excelência mesmo visitou o Japão, e também está prevista a visita do Presidente da República, Sua Excelência o Senhor Fernando Henrique Cardoso. Assim, penso que se pode construir uma ponte sólida mesmo entre dois países muito distantes um do outro através do intercâmbio humano.
Tenho ouvido de Suas Majestades que visitaram duas vezes o Brasil e dos
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príncipes-irmãos sobre a extensão, diversidade cultural, o caráter de seu povo generoso, e os esforços mercantes para a democratizão e reforma econômica do Brasil. Através desta visita, queria aprofundar o meu conhecimento sobre o Brasil, e estou ansiosa para conversar, quando retornar, sobre a sinceridade inalterada do povo brasileiro e o desenvolvimento do Brasil.
Neste ano marcante em que se celebra o Centenário da Amizade, espero ardentemente que, corno o Senhor Presidente disse na mensagem do início deste ano, o Japão e o Brasil, recordando de novo a história dos últimos cem anos, inaugurem uma nova etapa de possibilidades para uma maior cooperação, em respostas às exigências da nova era.
Finalizo minhas palavras formulando os mais sinceros votos pela saúde de Vos- sa Excelência, pela prosperidade da Re- pública Federativa do Brasil e o desenvolvimento cada vez maior das relações amigáveis entre o Japão e o Brasil.
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