Kenshuin Marcio Beltrão
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Curso Estudo e pesquisa de música: Sapporo 6 meses, intensivo em língua, Hirosaki 1 ano, estudo e pesquisa de música e canto. Orientador, prof. Watanabe Kasuo
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Paríodo setembro 2001/março 2003
Minha ida ao Japão me fez ver de perto as diferenças culturais entre o ocidente e o oriente. Minha linha de pesquisa no curso de TEACHING TRAINER DA MONBUSHO foi o multiculturalismo: respeitar as diversas culturas e apreciá-las dentro da percepção da cultura analisada, não diante dos parâmetros da minha cultura.
Vivendo no Japão aprendi a respeitar as diferenças culturais nos campos social, cultural, religioso e artístico, meu objeto de estudo. Em Hirosaki, estudei canto japonês e pesquisei o neputamatsure e os ritmos dos tambores, taiko, tambores enormes, com   timbres graves que são usados para evocar ritmos militares de ida e vinda das guerras, usados durante os desfiles nos festivais, para relembrarem o tempo da guerra.
Venho a alguns anos trabalhando em Recife um coral multicultural, misturando o folclore pernambucano com ritmos do maracatu, folguedo afro-brasilereiro com musica erudita. Agora de volta ao Brasil, o meu interesse é homenagear o Japão, incluindo no meu trabalho canções e ritmos do taiko, misturando os elementos brasileiros e japoneses. Desta forma estarei homenageando o povo japonês e divulgando sua cultura.
Tenho como proposta a mistura de ritmos para mostrar tanto aos brasileiros quanto aos japoneses as igualdades e as diferenças culturais entre o Brasil e o Japão, mostrando desta forma o que há de belo nas duas culturas e o que é mais importante, como educador: transmitir tanto ao povo brasileiro quanto ao japonês o respeito às diferenças.
No mundo globalizado, é necessário o estudo e a vivência multiculturais, com oportunidade de intercâmbios culturais, como o Brasil e o Japão, para que não sejamos excludentes, priorizando uma cultura em detrimento de outras.
É chegado o tempo de renunciarmos a títulos, bandeiras, esquecermos que somos doutores, professores, brasileiros, japoneses ou qualquer outra nacionalidade, uma vez que se trata do homem. TEREMOS que aprender a ser sobretudo gente, apenas gente e estendermos nossa consciência nacional a uma supranacional.
Teremos de desenvolver o sentido de solidariedade entre todas as nações, a consciência de compromisso perante uma comunidade cultural e política universal. Teremos de entender que tudo o que hoje ainda nos parece particularidade nacional, no fundo é apenas o fenômeno individual de uma só e mesma coisa, ou seja, o ser humano. No SEC XX somos chamados a formar esse homem livre, destituído de preconceitos, que pensa e sente em termos supranacionais, a desenvolver suas capacidades e a preparar um mundo realmente humano.
Não existe cultura mais importante, existe, sim, um acumulado de conhecimentos a ser compartilhado, preservado e difundido para que o mundo respeite sempre as diferenças e diversidades.
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