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O Recife foi brindado com a apresentação de Teatro Japonês NÔ E KYÔGEN, em comemoração aos 90 Anos da Imigração Japonesa ao Brasil. O evento foi promovido pela Fundação Japão, Fundação Joaquim Nabuco, Associação Cultural Brasil-Japão e Consulado Geral do Japão no Recife. Reproduzimos aqui o texto do foider entregue por ocasião do evento.
NÔ E KYÔGFN
O Nó desenvolveu-se a partir de uma variedade de rituais sagrados e artes de entretenimento profano e popular, similar às farsas e à mímica. No final do século XIII, distinguiam-se dois tipos de Nó, segundo a proveniência: o Sarugaku-Nô,mais teatral, com gestualidade mímica e o Dengaku-Nô, musical acompanhado de cantos e danças camponesas. Com a introdução do texto escrito, estipulou-se um modo de coexistência do elemento literário com o uso da dança, do canto e da mímica.
O Nó é um drama lírico com argumento baseado
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em acontecimentos passados, evocativos das grandes epopéias da história japonesa ou alusivos a obras clássicas.
Tomam parte o protagonista - Shite - que usa uma máscara, o coadjuvante - Waki - geralmente um monge que não participa na dança, os respectivos acompanhantes - Tsure - , um Coro e uma pequena orquestra de quatro instrumentos: uma flauta e três tambores. Todos os elementos contribuem para servir o Shite: o Coro dialoga com o protagonista, fala por ele, e em vários momentos narra a ação do Shite e a música que o acompanha na entrada, tem o nome de "issei" e indica o motivo dominante na obra.
A unificação da música, da dança, da poesia e da gestualidade num espetáculo teatral vem ao encontro da aspiração ao Teatro Total, uma corrente dominante do teatro ocidental dos nossos dias, integrando elementos que antigamente lhe pertenciam e que dele foram separados nos trâmites da evolução.
Se o Nó trata sempre de deuses e dos mistérios do espírito, o Kyôgen, por sua vez, revela a existência
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humana. Embora de origem comum, com o passar do tempo o Nó assumiu temáticas dramáticas e tragédias musicais, e o Kyôgen se tomou um teatro cômico.
Kyôgen ilumina os nossos defeitos, a fraqueza de caráter, enquanto que o Nó celebra as nossas aspirações, a virtude e a devoção. O ócio, a indolência e todos os apetites são a matéria-prima da qual o Kyôgen é feito. Não faz do rosto ideal (presente na máscara Nó), não prescinde da música, pois não existe mistério a sugerir, nem é lento, imponente ou poético.
Se por um lado, o Nó sustenta-se também enquanto literatura, o mesmo não acontece com o Kyôgen. A comédia não é tão engraçada ao se ler . Diferentemente da tragédia, a comédia está no fazer. E o fazer em Kyôgen está no despojamento dos atores, que se utilizam apenas no leque para materializar os objetos que vão surgindo e preenchendo o palco.
Nó e Kyôgen, tão diferentes e tão próximos, uma perfeita conjugação para uma manifestação artística que já dura mais de seiscentos anos.
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