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ASSOCIAÇÃO NORDESTINA DOS EX-BOLSISTAS E ESTAGIÁRIOS NO JAPÃO
Ano I - No 1
Informativo Trimestral
Março 1995
EDITORIAL
Solidariedade. Não aquela formal, normalmente expressa em telegramas, mas um sentimento de pesar verdadeiro, daqueles que só sabe quem entende a dor do semelhante.
Nunca estive em Kobe, mas era como se tivesse estado. As cenas da TV eram-me familiares. Eu sentia que de alguma forma, a tragédia para mim era diferente do que era para a maioria das pessoas.
É em momentos como esse que um ex-kenshu-in entende o que se passou com ele no Japão. Uma parte de cada um de nós ficou lá.
Um pedacinho do "lá" veio conosco, na bagagem das recordações.
Alguns amigos me perguntavam se durante a minha estada eu tivera a experiência de enfrentar um terremoto. Outros indagavam se eu teria coragem de voltar ao Japão. Felizmente minha experiência com terremotos limita-se a uma simulação feita em Fukuoka.
Voltar ao Japão? Claro que voltaria. Um terremoto é uma fatalidade, e não ocorre só no Japão. Califórnia, México, Peru, Itália, Turquia e muitos outros locais enfrentam fenômenos
semelhantes. O que representa maior perigo? Estar em Kobe ou passear à noite no centro de uma grande cidade brasileira? Quantos silenciosos terremotos o nosso trânsito provoca a cada ano? Aliás, dificilmente algum outro país estará tão bem aparelhado quanto o Japão para enfrentar desastres naturais.
Uma natureza bela mas hostil, ensinou-lhes através dos séculos a superar além dos sismos, furacões, enchentes, erupções vulcânicas e incêndios. Ensinou- lhes sobretudo a se organizar e a confiar no futuro.
Num instante difícil como aquele é que se conhece a alma de um povo. Com todas as dificuldades, exaustivamente vistas na TVe mais o inverno, não se ouviu falar em epidemias, saques, roubos. Mesmo diante de um infortúnio de proporções gigantescas a população se manteve, dentro do possível, tranqüila e solidária.
É triste ver o que aconteceu em Kobe. É duro saber que não foi o seu último terremoto, e que este sequer foi o maior já enfrentado no Japão. Mas quem visitou em Hiroshima o Museu da Paz, sabe que é possível renascer das cinzas. Não tenho dúvidas que Kobe renascerá e mais forte do que nunca.
Posse da nova diretoria e agradecimento à antecessora
Isaac Pinto Averbbuch
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